Discografia - Silencia Todos os discos


Silencia.

Sob o céu sobre o mar. sobre um jeito muito próprio de cantar. Silencia. E daí parte-se; em meio ou inteiramente fora do lugar. Silencia. Entre dois continentes e o contingente de culturas aglomeradas. Das poucas ou muitas casas aos aeroportos, trens e caminhadas. Silencia. Um dedo de moça. Um tempero, no prato requintado da mais fina flor do sal e do melado. Silencia. Enquanto paisagens passam, enquanto as estações morrem e nascem. Viagem de um canto visto de vários cantos pois que não bastava o som viajar, a andarilha foi se ouvir cantanto de um outro ponto de vista, e avistamos sua voz daqui ou de acolá. Silencia. E quando o retorno não é fim nem encosto, cá de nosso movimento, enternecidos com as variantes sonoras de sua linguagem e música, nossos corações se encontram, na poética. Na brasilidade autêntica e na universalidade compacta de um bem. Silencia. Cello Cavaco Prato. Esse registro musical de Ceumar foi feito como os costumes das rodas. Todos se olhavam. Todos se tocavam. Instrumentos são extenções do corpo áurico do músico. Desse composto, dessa banda caudalosa e fina, a maestria nota-se. Há um encontro raro. E dai o nome, e daí falar em silêncios. E eu de cá, fico imaginando o que é ser tocado pelo canto de Ceumar se eu não falasse sua língua. Pois que sua voz tem um composto raro, que nos faz sentir a lingua universal do canto. O canto não é palavra, mas o canto fala. O canto dá sua palavra.

Silencia.

Tem movimento. Tem tonalidades. Tem tempo. Silencia não é calado. É de um ouvir próprio das congruências do mundo e de suas diligências, e corpos naturais e ritmicos; ruído interior e voz do rio das Gerais. Canto dágua que sai fazendo caminho.

Como se dá respirar. Observar. Meditar. De leveza e tessitura. Brasilidade plura. E pro (do) mundo.

Canta.
Gero Camilo
22 maio 2014